Sonho em fazer o Caminho de Santiago de Compostela há pelo menos nove anos. É o destino de viagem que sempre me chamou a atenção por diversas razões, mas não sei explicar com exatidão o que mais me motiva a andar os 800 quilômetros de trilha. Mistura de impulsos me envolve.
O conceito da peregrinação me atrai. Gosto da ideia de andar durante 30 dias a exaustão. Fora isso, a oportunidade de conhecer diversos lugares ao longo caminho me instiga os sentidos. Sei que vou encontrar muitas pessoas, fazer diversas amizades e viver momentos memoráveis da minha vida, mas não são esses futuros acontecimentos que me influenciam a fazer essa viagem. Longe disso!
“Vejo um caminho no seu caminho”, esta frase, dita por um sensitivo que encontrei há meses, fez-me estremecer profundamente, principalmente porque eu já havia decidido por essa peregrinação. Outras coisas a respeito de Compostela me foram ditas, as quais não fazem sentido mencionar aqui. Escrevo esses pequenos acontecimentos para atestar que o Caminho de Santiago está além de puro misticismo e de romance de Paulo Coelho. Estou convicto disso.
É comum ouvir dizer que não é a gente que escolhe fazer o Caminho de Santiago de Compostela, mas é ele quem nos escolhe. Conversa pra boi dormir? Não, pelo menos pra mim. Embora eu seja espiritualizado e místico, não costumo cair em conversa sem pé e sem cabeça. Entretanto, muitas eventualidades simultâneas aconteceram – e ainda têm acontecido – para que a viagem a Compostela desenrole sem algemas. E, nesse momento de pré-viagem, começo a acreditar em alguns desses “mitos” – que agora sou obrigado a escrever entre aspas. A sensação que tenho é que chegou o momento de percorrer essa trilha. Não tinha que ser antes, nem depois. Tinha que ser agora.
Completei 35 anos este ano. Me bate a sensação que estou na metade da minha vida, cujo momento urge por modificações nas diversas esferas do meu cotidiano, por isso tenho plena certeza que essa viagem não é à toa. É tudo tão intenso que já não enxergo o Caminho de Santiago como um trekking, muito menos como uma aventura, ainda que seja um dos maiores trekkings do mundo, bem como uma deliciosa aventura de 30 dias em meio à natureza. É uma sensação indescritível.
Não sei o que vou aprender com essa viagem, mas sei que o distanciamento vai me ajudar a compreender muitas questões que começaram a vir à tona, as quais não consigo processar somente na pausa entre o deitar e o dormir, muito menos nos insights que me acontecem debaixo do chuveiro. Sinto que é hora de jogar todas as cartas na mesa, de retirar toda a poeira que joguei pra debaixo do tapete e de abrir a cortina da minha consciência.
Tudo isso que escrevi até aqui pode parecer um discurso batido, romantizado e embalado por depoimentos e livros sobre o assunto, mas quanto mais se aproxima a hora da partida, mais embates e reflexões surgem, como se eu já estivesse criando um checklist da alma para eu resolver durante essa viagem. O pensamento que me invade é que essa peregrinação – mesmo tendo 800 quilômetros de trilha – se resume numa única palavra: refazimento.
Tá pensando em fazer o Caminho de Santiago de Compostela? Os posts abaixo podem te ajudar:
A melhor época | Distâncias e rotas
É, meu amigo, o momento finalmente chegou. E não há volta!
Talvez o maior ensinamento seja esse. É um objetivo lá na frente (que não é de fato um objetivo). A certeza é da direção a se percorrer. Não por onde vai chegar, mas fazendo esse objetivo ser somente um guia de direção, para saber aproveitar e aprender em cada trecho do caminho.
Aproveite muito que já estou ansioso pra tomar aquela cerveja na volta e ouvir todas as histórias que você já tem dentro de você mas vai desenrolar lá, junto com as novas que você vai trazer.
Valeu, Rafa!! Tomaremos boas cervejas depois!
Obrigada pela coragem de compartilhar conosco seus pensamentos.
Eu sonho em fazer o caminho e acredito que os lugares possuem um magnetismo inexplicável com cada um de nós e que tudo acontece no momento certo.
Espero que encontre aquilo que busca nessa jornada.
Luz no caminho do seu caminho!
Olá, Jamile! Tudo bem? Eu que agradeço o seu comentário. Eu também passei a acreditar nesse magnetismo inexplicável. É algo bem surpreendente mesmo.
Obrigado pela mensagem,
Luz pra todos nós!
Seus relatos e dicas são muito bons. Sempre tive vontade de fazer esta viagem. Mas tenho 62 anos e não sou nenhum atleta. Tenho vontade de fazer um trecho mais curto, ainda este ano, talvez partindo do Porto. Eu sinto que preciso disto.
Olá, Antonio. Fiquei tranquilo que não precisa ser atleta para fazer o Caminho de Santiago. Se você sente que precisa fazê-lo, é porque está recebendo o chamado. Vá e realize esse sonho! Aconselho a fazer uma pré-preparação física com um profissional, tenho certeza que será uma das maiores experiências da sua vida.
Grande abraço!
Eu sonho com essa viagem desde os 15 anos, agora com 40 penso que seria o melhor momento, ja que nos ultimos anos passei por grandes perdas e dores, acredito que o caminho ja não me chama, grita por mim.
Excelente viagem
Buen camino
Olá, Fernanda! Como diz Amyr Klink: “Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir”. Adiar sonhos não é um bom negócio. Espero que consiga realizar o que deseja.
Grande abraço!
Love your sharing of thoughts before the departure. We have all come a long way in life, and Camino call upon us for years. We responded to the calling and you have made it to the end gracefully. Cheers x
[…] O que me leva a fazer o Caminho de Santiago […]