Caminho de Santiago de Compostela

Astorga a Foncebadón: guia da etapa do Caminho Francês

Paisagem da etapa de Astorga a Foncebadón no Caminho Francês

A etapa de Astorga a Foncebadón marca uma virada no Caminho Francês. Depois de dias de planície, você sai da cidade romana, atravessa os povoados de pedra da Maragatería e começa a subir os Montes de León. São cerca de 26 km: o Gronze indica 25,8 km e o guia do Eroski Consumer, 25,9 km.

A dificuldade é moderada. A primeira parte, até Rabanal del Camino, sobe de forma suave e constante. Os últimos 5,5 km, de Rabanal até Foncebadón, são a parte mais dura do dia, com uma rampa que deixa você a 1.437 m de altitude, segundo o Gronze. É uma etapa longa, mas muito bem servida de povoados no caminho.

Resumo da etapa de Astorga a Foncebadón

  • Distância aproximada: cerca de 26 km (25,8 km no Gronze, 25,9 km no Eroski).
  • Desnível: o Gronze indica cerca de 576 m de desnível acumulado. O Eroski calcula uns 283 m de subida até Rabanal e mais uns 280 m nos 5,6 km finais.
  • Dificuldade: média. Subida gradual na maior parte do dia e um trecho final mais inclinado.
  • Tempo estimado: cerca de 5h45, segundo as duas fontes.
  • Principais localidades: Valdeviejas, Murias de Rechivaldo, Santa Catalina de Somoza, El Ganso, Rabanal del Camino.
  • Onde termina: Foncebadón, aldeia de montanha a 1.437 m.

Se quiser ver como esse dia se encaixa no roteiro completo, confira o nosso guia das etapas do Caminho Francês.

O percurso trecho a trecho

As quilometragens abaixo são do Eroski Consumer, contadas a partir de Astorga. Elas variam um pouco de guia para guia.

Astorga a Valdeviejas (km 0 a 2,6)

Você deixa Astorga passando pela catedral e pela Plaza Mayor e segue por um caminho paralelo à estrada LE-142. Logo no início fica a ermida do Ecce Homo, onde costuma haver alguém carimbando credenciais. Valdeviejas tem albergue e bar. Antes de sair, vale ler o nosso guia de Astorga e Ponferrada para aproveitar a cidade na véspera.

Valdeviejas a Murias de Rechivaldo (km 2,6 a 4,7)

Trecho curto, por um andadeiro ao lado da LE-142, até cruzar o rio Jerga e entrar em Murias. Há bares. Atenção: o Gronze informa que o albergue municipal de Murias está fechado e sem previsão de reabertura, mas há opções privadas.

Murias a Santa Catalina de Somoza (km 4,7 a 9,3)

O caminho atravessa a estrada e segue por uma via local até Santa Catalina, um povoado maragato com albergues e bares ao longo da Calle Real.

Santa Catalina a El Ganso (km 9,3 a 13,4)

Mais 4 km de terreno aberto até El Ganso, que tem albergue, bares, loja e fonte. O Eroski avisa que alguns pontos perto de El Ganso obrigam a caminhar sobre o asfalto.

El Ganso a Rabanal del Camino (km 13,4 a 20,3)

O trecho mais longo sem povoado no meio, com quase 7 km. Perto da ponte sobre o arroio Reguerinas, o Eroski cita uma tenda de uma associação local com carimbo, informação e bancos para descanso. Por volta do km 19 fica o Roble del Peregrino. O carvalho original caiu em 2013, e o atual é um substituto, como lembra o Gronze. Rabanal tem albergues, bares e loja.

Rabanal del Camino a Foncebadón (km 20,3 a 25,9)

Aqui a subida aperta. São cerca de 5,6 km com uns 280 m de desnível. No km 22,3 há uma fonte. A chegada é em Foncebadón, que tem albergues, pensão, bares e loja.

O que ver no caminho

  • Ermida do Ecce Homo: capela do século XVIII, restaurada em 2007, segundo o Eroski.
  • Murias de Rechivaldo: povoado típico maragato, com a igreja de San Esteban, do século XVIII, e espadana de sinos.
  • Castrillo de los Polvazares: fica fora do traçado, num desvio a partir de Murias (o Gronze fala em 800 m a mais). É Conjunto Histórico-Artístico e um dos melhores exemplos da arquitetura maragata, com casas de antigos arrieiros, portões largos e pátios para carroças. O Gronze cita o cozido maragato servido nos restaurantes do povoado.
  • El Ganso: casas tradicionais com telhado de palha de centeio e a igreja de Santiago, com uma imagem do século XVI.
  • Rabanal del Camino: a ermida do Cristo da Vera Cruz, a capela de San José, a igreja paroquial da Asunción, com abside românica, e um pequeno mosteiro beneditino. O Gronze menciona a oração com canto gregoriano dos monges no fim da tarde. Confirme o horário no local.
  • Foncebadón: segundo o Gronze, a aldeia estava quase abandonada e em ruínas no início deste século. Hoje vive do Caminho. O Eroski registra que, no século XI, o eremita Gaucelmo ergueu ali uma casa de acolhida para peregrinos.
Peregrino no percurso de Astorga a Foncebadón, Caminho Francês

Onde dormir em Foncebadón

Foncebadón não tem albergue municipal. A lista do Gronze inclui um albergue paroquial, o Domus Dei, além de vários albergues privados e dois hostais com quartos individuais e duplos. É uma aldeia pequena, e no verão as vagas acabam cedo.

Não vou citar preços, porque eles mudam muito. Em geral, albergues paroquiais e públicos costumam ser as opções mais baratas. Antes de sair de Astorga, confira no Gronze o que está aberto e, se puder, reserve nos privados. O nosso guia de albergues no Caminho de Santiago explica como funciona cada tipo.

Se preferir parar antes, Rabanal del Camino tem várias opções. O Gronze lista o Refugio Gaucelmo, albergues privados e hostais. O albergue municipal de Rabanal aparece como temporariamente fechado.

Dificuldades e dicas da etapa

  • A subida final: guarde energia para depois de Rabanal. A rampa até Foncebadón é curta, mas pesa no fim de um dia de 25 km.
  • Inverno e meia-estação: o Gronze alerta para frio, neve, ventania e neblina no fim do outono, no inverno e no início da primavera. O Eroski reforça que a neve é comum. Se for nessa época, leia sobre albergues no inverno e confirme se as hospedagens de Foncebadón estão abertas.
  • Asfalto: há trechos junto à LE-142 e pontos perto de El Ganso em que você caminha no asfalto. Cuidado com o trânsito.
  • Água: a etapa tem bares em todos os povoados principais e uma fonte depois de Rabanal. Mesmo assim, saia com a garrafa cheia, porque entre El Ganso e Rabanal são quase 7 km sem povoado.
  • Santa Catalina de Somoza: o Gronze relata um conflito entre albergues locais, com abordagens a peregrinos na entrada do povoado. Decida antes onde vai parar, se for o caso, e não se sinta pressionado.
  • Ciclistas: o Eroski avisa que há trechos em que é preciso empurrar a bicicleta. A LE-142 é a alternativa.

Na minha visão, vale a pena subir até Foncebadón. O próprio Gronze recomenda isso: dormir no alto deixa a etapa seguinte, com a Cruz de Ferro e a longa descida, mais curta.

Como dividir ou encurtar a etapa

A etapa clássica de muitos guias termina em Rabanal del Camino, a cerca de 20 km de Astorga. É uma boa escolha se você estiver cansado ou com dor. O ponto negativo é que a etapa seguinte fica mais longa.

Outras paradas com hospedagem, segundo o Gronze: Murias de Rechivaldo, Santa Catalina de Somoza e El Ganso, todas com albergues ou hospedagens privadas. Castrillo de los Polvazares tem hostarias e casa rural, mas fica fora do traçado.

Para ver o perfil de subida de cada dia antes de decidir, consulte a nossa página de altimetria do Caminho de Santiago.

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Perguntas frequentes

Quantos quilômetros tem a etapa de Astorga a Foncebadón?

Cerca de 26 km. O Gronze indica 25,8 km e o Eroski, 25,9 km. Se você parar em Rabanal, são cerca de 20 km.

A subida para Foncebadón é muito difícil?

É gradual até Rabanal. Depois, são uns 5,6 km com cerca de 280 m de subida. Exige ritmo, mas não é técnica.

Foncebadón tem albergue municipal?

Não. Há um albergue paroquial e vários privados, além de hostais. Confira a disponibilidade no Gronze.

Vale o desvio por Castrillo de los Polvazares?

Se você gosta de arquitetura tradicional, sim. O desvio é curto e o povoado é conjunto histórico protegido. Conte com um pouco mais de distância no dia.

Dá para fazer a etapa no inverno?

Dá, mas com equipamento adequado e informação atualizada. Neve e neblina são comuns na serra, e algumas hospedagens fecham.

Da planície à montanha: o que levar desta etapa de Astorga a Foncebadón

De Astorga a Foncebadón, você troca a meseta pelas primeiras serras do Bierzo. Os povoados maragatos ajudam a quebrar o dia, e a subida final prepara o corpo para a Cruz de Ferro, que fica a pouco mais de 2 km da aldeia.

Meu conselho: saia cedo, faça paradas curtas nos povoados e deixe a força para o trecho depois de Rabanal. Chegar a Foncebadón com tempo para descansar faz diferença no dia seguinte.

Fontes consultadas

Rafael Kosoniscs

Sou jornalista e publicitário, tenho 36 anos e viajo de mochila nas costas há 12 invernos. Tenho a mochilagem e o montanhismo como paixões. Vou publicar meu primeiro livro este ano – e você já está convidado(a) para o lançamento. Fique de olhos nas redes para não perder, ok? Siga: @seumochilao | @rafaelkosoniscs

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