Caminho de Santiago de Compostela

Ponferrada a Villafranca del Bierzo: guia da etapa do Caminho Francês

Paisagem da etapa de Ponferrada a Villafranca del Bierzo no Caminho Francês

A etapa de Ponferrada a Villafranca del Bierzo é um respiro depois da descida dos Montes de León. O terreno é quase plano, o caminho passa por vários povoados e, na segunda metade, por vinhedos da denominação de origem Bierzo. São cerca de 24 km: o Gronze indica 23,2 km e o Eroski Consumer, 24,1 km.

A dificuldade é baixa a média. O que pesa são a saída longa de Ponferrada, o calor no verão e alguns trechos no acostamento da estrada. A chegada a Villafranca tem uma subida curta e forte, mas nada comparável às etapas de montanha.

Resumo da etapa de Ponferrada a Villafranca del Bierzo

  • Distância aproximada: cerca de 24 km (23,2 km no Gronze, 24,1 km no Eroski).
  • Desnível: baixo. O perfil do Gronze mostra pouco mais de 200 m de subida e de descida acumuladas.
  • Dificuldade: baixa a média. O Gronze dá nota 2 de 5.
  • Tempo estimado: de 5h15 a 5h30.
  • Principais localidades: Compostilla, Columbrianos, Fuentes Nuevas, Camponaraya, Cacabelos, Pieros.
  • Onde termina: Villafranca del Bierzo, última cidade antes da subida a O Cebreiro.

Para encaixar este dia no seu roteiro, veja o nosso guia das etapas do Caminho Francês.

O percurso trecho a trecho

As distâncias são do Eroski Consumer, contadas a partir de Ponferrada.

Ponferrada a Compostilla (km 0 a 3,7)

Você passa pelo castelo templário e pela praça da Virgen de la Encina, desce escadas, cruza o rio Sil e segue pela fonte das Pimenteras. O Eroski avisa que a saída faz uma volta longa para o norte, até Compostilla, e que é fácil se confundir. Siga as setas com atenção.

Compostilla a Columbrianos (km 3,7 a 5,5)

Depois da capela neorromânica de Compostilla, você passa por um túnel sob a N-VI (km 4,7) e chega a Columbrianos, que tem bar, lojas e farmácia.

Columbrianos a Camponaraya (km 5,5 a 10,5)

Trecho periurbano por Fuentes Nuevas (km 8), que tem bar e serviços, até Camponaraya (km 10,5), um povoado comprido, com todos os serviços. Na saída de Camponaraya começa a variante de Carracedo.

Camponaraya a Cacabelos (km 10,5 a 16,6)

Aqui o Bierzo vinícola aparece de vez. O Gronze descreve boas pistas de terra e asfalto, quase sem desnível. No km 14,9, o Eroski cita a sede do Conselho Regulador da D.O. Bierzo. Atenção ao cruzar a estrada. Cacabelos tem todos os serviços.

Cacabelos a Pieros (km 16,6 a 18,5)

Você cruza o rio Cúa e segue pelo acostamento da LE-713, a antiga N-VI. Pieros tem albergue e bar na saída do povoado.

Pieros a Villafranca del Bierzo (km 18,5 a 24,1)

Aqui você escolhe entre duas opções. O caminho oficial segue cerca de 1,9 km pelo acostamento da LE-713. A variante por Valtuille de Arriba acrescenta cerca de 1 km, mas tira você da estrada. O Gronze recomenda essa variante para quem vai a pé. A chegada a Villafranca tem uma subida forte, segundo o Eroski.

O que ver no caminho

  • Cacabelos: a igreja de Santa María, com abside românica e reconstruída no século XVI, e o santuário da Quinta Angustia, do século XVIII. O Gronze cita uma cena curiosa, envolvendo o Menino Jesus e Santo Antônio, na porta da sacristia. Há ainda a ponte de pedra sobre o Cúa e um museu arqueológico.
  • Castro Ventosa: antiga cidade fortificada, romanizada como Bergidum Flavium, origem do nome Bierzo. Fica a cerca de 15 minutos de Pieros, segundo o Gronze, e ainda conserva trechos de muralha.
  • Columbrianos: igreja de San Esteban, de 1778, num povoado documentado desde o século X, segundo o Eroski.
  • Camponaraya: igreja paroquial de San Ildefonso e capela da Virgen de la Soledad.
  • Pieros: igreja românica de San Martín, consagrada em 1086, segundo o Eroski.
  • Mosteiro de Santa María de Carracedo: só para quem fizer a variante, que acrescenta cerca de 3 km.
  • Villafranca del Bierzo: a igreja de Santiago, românica, com a famosa Porta do Perdão. Segundo o Gronze e o Eroski, um privilégio do papa Calixto III, no século XV, permitia que peregrinos doentes, sem condições de seguir até Santiago, ganhassem ali o jubileu. A cidade tem ainda o castelo dos Marqueses, do século XVI, a colegiada de Santa María, a rua do Agua com seus palácios e a Alameda.

Se você gosta de vinho e comida regional, leia o nosso guia de vinhos e gastronomia no Caminho Francês. O Gronze cita várias vinícolas junto ao caminho em Camponaraya, Cacabelos e Pieros.

Peregrino no percurso de Ponferrada a Villafranca del Bierzo, Caminho Francês

Onde dormir em Villafranca del Bierzo

Villafranca tem um albergue municipal, na entrada da cidade, junto à igreja de Santiago. Segundo o site Albergues del Camino de Santiago, tem 60 vagas. Ao lado fica o Refugio Ave Fénix, da família Jato, citado pelo Eroski. Há também albergues privados, pensões e hotéis.

Segundo o mesmo site, Villafranca tem caixa eletrônico, farmácia, assistência médica, supermercados e padaria. É um bom lugar para se abastecer antes da etapa de montanha, já que a aldeia de O Cebreiro tem poucos serviços.

Como muita gente para aqui antes da subida a O Cebreiro, a cidade costuma ficar cheia na alta temporada. Confira a disponibilidade no Gronze e, se for reservar, faça isso com antecedência. O nosso guia de albergues no Caminho de Santiago explica as diferenças entre públicos e privados.

Dificuldades e dicas da etapa

  • Calor: o Gronze avisa que a maior parte do percurso é a pleno sol e que o verão costuma ser quente. Saia cedo, beba água com frequência e leia sobre desidratação e insolação no Caminho.
  • Saída de Ponferrada: a volta por Compostilla parece simples, mas é fácil errar. Siga as setas.
  • Acostamento: entre Cacabelos e Pieros, e depois de Pieros pelo traçado oficial, você caminha no acostamento da LE-713. Atenção ao trânsito.
  • Final em subida: o Eroski considera os últimos 7,5 km, do rio Cúa até Villafranca, o trecho mais exigente do dia.
  • Serviços: o Gronze indica que hoje há bares e restaurantes em todas as localidades. Água não costuma ser problema.
  • Ciclistas: o Gronze recomenda evitar o passeio ribeirinho de pedestres na saída de Ponferrada e seguir pela LE-713 em vez da variante de Valtuille.

Na minha visão, a variante de Valtuille de Arriba compensa o quilômetro extra. Caminhar longe do trânsito no fim do dia faz diferença.

Como dividir ou encurtar a etapa

Como o terreno é fácil, a maioria das pessoas faz a etapa inteira. Se precisar parar antes, Cacabelos (cerca de 16,6 km) tem todos os serviços e hospedagem, inclusive um albergue no santuário da Quinta Angustia, segundo o Eroski. Pieros (cerca de 18,5 km) também tem albergue.

Outra estratégia é pensar a etapa junto com a seguinte. A subida a O Cebreiro é a mais dura do Caminho Francês em território espanhol, segundo o Gronze. Chegar descansado a Villafranca ajuda muito.

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Perguntas frequentes

Quantos quilômetros tem a etapa de Ponferrada a Villafranca del Bierzo?

Cerca de 24 km. O Gronze indica 23,2 km e o Eroski, 24,1 km. Com a variante de Valtuille, some cerca de 1 km.

A etapa é difícil?

Não muito. É quase plana, com uma subida curta perto de Villafranca. O principal cuidado é com o calor no verão.

O que é a Porta do Perdão de Villafranca?

É a porta da igreja de Santiago. Segundo a tradição, um privilégio papal do século XV permitia que peregrinos doentes ganhassem ali o jubileu, como se tivessem chegado a Santiago.

Vale a pena a variante de Carracedo?

Só se você quiser visitar o mosteiro. Ela acrescenta cerca de 3 km, e o Gronze diz que quase ninguém a faz.

Há outras variantes além de Valtuille e Carracedo?

O Eroski cita uma variante não oficial a partir do cruzamento de San Clemente, mais longa. Na dúvida, siga as setas do traçado oficial ou a variante de Valtuille.

Villafranca tem albergue público?

Sim, um albergue municipal na entrada da cidade, junto à igreja de Santiago.

Um dia entre vinhedos antes da grande subida

A etapa de Ponferrada a Villafranca del Bierzo é tranquila e boa para recuperar o corpo depois da descida da Cruz de Ferro. Aproveite os povoados, prove o vinho da região com moderação e chegue cedo a Villafranca.

O dia seguinte pede energia. Quanto melhor você descansar aqui, mais leve vai ser a subida a O Cebreiro.

Fontes consultadas

Rafael Kosoniscs

Sou jornalista e publicitário, tenho 36 anos e viajo de mochila nas costas há 12 invernos. Tenho a mochilagem e o montanhismo como paixões. Vou publicar meu primeiro livro este ano – e você já está convidado(a) para o lançamento. Fique de olhos nas redes para não perder, ok? Siga: @seumochilao | @rafaelkosoniscs

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