Caminho de Santiago de Compostela

Rubiães a Tui: guia da etapa do Caminho Português

Paisagem da etapa de Rubiães a Tui no Caminho Português

A etapa de Rubiães a Tui é a última do Caminho Português Central em território português. São cerca de 19,1 km, segundo o Gronze e o Pilgrim.es, passando por pontes antigas, pelo santuário de São Bento da Porta Aberta e pela cidade fortificada de Valença. No fim, você cruza a ponte internacional sobre o rio Minho e entra na Espanha, em Tui.

É uma etapa curta e tranquila. O Gronze dá a ela a menor nota de dificuldade da sua escala, com desníveis moderados, boa sinalização e bares em quase todas as localidades. Isso deixa tempo para o que importa: visitar a fortaleza de Valença e a catedral de Tui sem pressa.

Resumo da etapa de Rubiães a Tui

  • Distância aproximada: cerca de 19,1 km (Gronze e Pilgrim.es).
  • Desnível: cerca de 400 m de subida acumulada e 540 m de descida, segundo o Gronze. O saldo é de descida.
  • Dificuldade: baixa.
  • Principais localidades: Pecene, São Bento da Porta Aberta, Gontomil, Fontoura, Paços, Pedreira, Arão, Valença e Tui.
  • Onde termina: na catedral de Santa María de Tui.
  • Tempo estimado: cerca de 4h45, segundo o Gronze.
  • Fronteira: a etapa muda de país. Lembre que o relógio na Espanha fica uma hora à frente do de Portugal.

O percurso de Rubiães a Tui trecho a trecho

As distâncias acumuladas seguem a descrição do Gronze.

Rubiães a São Bento da Porta Aberta (0 a cerca de 4,4 km)

Você sai do albergue descendo pela N201 e a deixa uns 300 m depois, numa curva fechada à esquerda. Por volta do km 0,9 cruza a ponte romano-medieval sobre o rio Coura. Pouco depois atravessa a N201 perto de um bar, volta a ela por uns 230 m e pega uma estrada local à direita. Mais adiante entra num caminho calçado e passa por Pecene, junto à capela de Nossa Senhora do Alívio. No km 4,4 chega a São Bento da Porta Aberta, com um bar.

São Bento da Porta Aberta a Fontoura (até cerca de 7,5 km)

O caminho sai do santuário pela esquerda da N201 e entra num trecho agradável de mata antes de descer até Gontomil. Daí alterna calçamento e asfalto, pega um caminho estreito de pedra e passa por um bar antes de chegar a Fontoura, com parque, cemitério e igreja.

Fontoura a Pedreira (até cerca de 11 km)

Você segue pela estrada M512. Por volta do km 8,3 há uma indicação para um bar-restaurante. O Gronze avisa que ele fica a 400 m, e não a 150 m como sugerem algumas placas. O caminho segue por uma trilha à esquerda, cruza a N201 no km 9,1, atravessa Paços e chega à Ponte Pedreiras, de origem romana, por volta do km 10,7. Uns 250 m depois você cruza uma estradinha e sobe até Pedreira.

Pedreira a Arão (até cerca de 14,6 km)

No km 12,9 o caminho chega à N13, em frente a um restaurante. Há vários restaurantes de estrada por ali. Você vira à direita até uma rotatória e pega uma rua à esquerda, paralela à nacional. No km 13,6 passa pela capela do Senhor do Bonfim e entra na área urbana de Valença pela aldeia de Arão.

Arão a Valença (até cerca de 16,3 km)

Pela via Val de Flores, você passa por baixo de uma estrada, volta à N13 e chega à rotatória principal de Valença, com uma grande fonte no centro. Aqui está a decisão do dia: quem quer ir direto para a ponte segue em frente pela avenida de España. Quem quer visitar a fortaleza ou dormir no albergue de Valença vira à esquerda e sobe.

Valença a Tui (até cerca de 19,1 km)

Seguindo pela avenida de España, por volta do km 17,3 você chega à ponte internacional, de 1886. A travessia é feita por uma passarela de pedestres separada do trânsito. Do outro lado, já na Espanha, você vira à direita em direção ao passeio do Miño e sobe ao centro histórico de Tui pela rua Obispo Maceira. Pelas ruas Piñeira e Sanz chega à praça do Concello, onde fica a catedral.

O que ver no caminho de Rubiães a Tui

  • Ponte sobre o rio Coura: o Gronze a descreve como romano-medieval. É a primeira travessia do dia, logo depois de Rubiães. Para mais histórias de pontes como essa, veja pontes históricas do Caminho de Santiago.
  • Santuário de São Bento da Porta Aberta: segundo o Pilgrim.es, foi construído entre 1880 e 1895, tem painéis de azulejo sobre a vida de São Bento e foi elevado a basílica em 2015. O Gronze, por sua vez, fala em santuário do século XVIII. As fontes divergem quanto à data.
  • Ponte Pedreiras: outra ponte de origem romana, segundo o Gronze.
  • Fortaleza de Valença: o Gronze informa que foi construída no século XVII sobre defesas dos séculos XII e XIII, com quatro portas, doze baluartes e duas partes separadas por um fosso. O caminho não passa por dentro dela. Vale o desvio.
  • Ponte internacional: inaugurada em 1886 para ligar as ferrovias de Espanha e Portugal, segundo o Pilgrim.es, com projeto de Pelayo Mancebo.
  • Catedral de Santa María de Tui: construída entre 1120 e 1225, em estilo românico, com acréscimos góticos posteriores, de acordo com o Pilgrim.es. O Gronze a aponta como o principal monumento da cidade.
Peregrino no percurso de Rubiães a Tui, Caminho Português

Onde dormir em Tui

Tui tem albergue público da Xunta e vários albergues privados, além de hotéis e pensões, segundo a lista do Gronze. Um detalhe importante: o albergue da Xunta dá prioridade a peregrinos que chegam caminhando de Portugal. Isso favorece você, que vem de Rubiães, em relação a quem começa o Caminho em Tui.

Ainda assim, Tui é ponto de partida muito comum, porque fica a pouco mais de 100 km de Santiago, a distância mínima para a Compostela. Na alta temporada, a procura por cama é grande. Se chegar e encontrar tudo cheio, leia o que fazer quando os albergues estão lotados.

Há uma alternativa: dormir em Valença. O Gronze diz que o albergue de Valença tem mais capacidade que o de Tui e é opção para quem quer passar a última noite em Portugal. Não cito preços; confira disponibilidade no Gronze.

Dificuldades e dicas da etapa

  • Mudança de fuso horário. Portugal continental está uma hora atrás da Espanha. Ao cruzar a ponte, o relógio avança. Leve isso em conta para horário de check-in, missa e restaurantes.
  • Escolha na rotatória de Valença. Em frente, você vai direto à ponte. À esquerda, sobe para a fortaleza e o albergue.
  • Desvios de bar. O bar-restaurante de Fonte D’Ouro fica a 400 m do caminho, não a 150 m.
  • Trechos pela N13. Perto de Arão e na entrada de Valença, o caminho usa e cruza a estrada nacional N13. Fique atento nas travessias.
  • Comida em Valença. O Gronze avisa que os restaurantes dentro da fortaleza são mais caros e às vezes ficam cheios. Os mais em conta estão do lado de fora.
  • Compostela. Se você ainda não sabe as regras de carimbos para os últimos 100 km, leia como conseguir a Compostela antes de entrar na Galícia.

Como dividir ou encurtar a etapa

Com cerca de 19 km, a etapa não costuma ser dividida. O Gronze lista hospedagem em São Bento da Porta Aberta, São Julião, Fontoura, Paços, Pedreira e Cristelo Covo, além de Valença.

A divisão mais interessante é parar em Valença, por volta do km 16. O Pilgrim.es lembra que Valença e Tui ficam a poucos quilômetros uma da outra, e que muitos peregrinos preferem avançar até Tui para encurtar a etapa seguinte. No sentido contrário, o Gronze diz que dá para esticar até O Porriño, numa etapa de cerca de 35,2 km. Eu recomendo esse esticão só para quem está muito bem; a cidade de Tui merece uma tarde inteira.

Navegue pelas etapas:

Perguntas frequentes

Quantos quilômetros tem a etapa de Rubiães a Tui?

Cerca de 19,1 km, segundo o Gronze e o Pilgrim.es.

Dá para atravessar a ponte internacional a pé?

Sim. A ponte tem uma passarela de pedestres separada do trânsito.

É melhor dormir em Valença ou em Tui?

Depende do plano. Tui encurta o dia seguinte. Valença tem albergue com mais capacidade, segundo o Gronze, e permite uma última noite em Portugal.

Muda o horário ao entrar na Espanha?

Sim. A Espanha fica uma hora à frente de Portugal continental.

Da fortaleza portuguesa à catedral galega

Rubiães a Tui é um dia de fechamento e de começo. Você se despede de Portugal com pontes antigas e a fortaleza de Valença e, depois de alguns minutos sobre o Minho, está na Galícia. Caminhe sem pressa, reserve tempo para as duas cidades e ajuste o relógio do outro lado da ponte.

A partir daqui, o caminho segue pela Galícia. Veja o roteiro de Tui a Santiago pelo Caminho Português para planejar os próximos dias.

Fontes consultadas

Rafael Kosoniscs

Sou jornalista e publicitário, tenho 36 anos e viajo de mochila nas costas há 12 invernos. Tenho a mochilagem e o montanhismo como paixões. Vou publicar meu primeiro livro este ano – e você já está convidado(a) para o lançamento. Fique de olhos nas redes para não perder, ok? Siga: @seumochilao | @rafaelkosoniscs

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