Caminho de Santiago de Compostela

Vilarinho a Barcelos: guia da etapa do Caminho Português

Paisagem da etapa de Vilarinho a Barcelos no Caminho Português

A etapa de Vilarinho a Barcelos é o dia em que o Caminho Português Central troca a periferia do Porto pelo campo. São cerca de 28 km, segundo o Gronze, por zonas agrícolas, estradas locais e caminhos de terra, passando por pontes medievais e pela igreja românica de São Pedro de Rates. O destino é Barcelos, cidade da lenda do galo.

O relevo é moderado e não há grandes dificuldades técnicas. O que pesa é a distância e alguns trechos curtos pela estrada nacional N306, sem acostamento. Em compensação, há bares e restaurantes com frequência, e o visual melhora muito em relação ao dia anterior. Na prática, é aqui que o Caminho Português começa a mostrar o seu lado rural.

Resumo da etapa de Vilarinho a Barcelos

  • Distância aproximada: cerca de 28,1 km (Gronze). O guia da Câmara Municipal de Barcelos mede cerca de 16,4 km só entre São Pedro de Rates e Barcelos, o que bate com o Gronze.
  • Desnível: o Gronze indica cerca de 660 m de subida acumulada e 700 m de descida, em rampas moderadas.
  • Dificuldade: média, mais pela distância do que pelo terreno.
  • Principais localidades: São Mamede, São Miguel de Arcos, São Pedro de Rates, Pedra Furada, Pereira, Carvalhal e Barcelinhos.
  • Onde termina: em Barcelos, depois de cruzar a ponte medieval sobre o rio Cávado.
  • Tempo estimado: cerca de 6h45, segundo o Gronze.

O percurso de Vilarinho a Barcelos trecho a trecho

As distâncias acumuladas seguem a descrição do Gronze. Vários trechos foram alterados entre 2010 e 2012 para tirar o peregrino das estradas nacionais. O caminho ficou um pouco mais longo, mas mais seguro.

Vilarinho a São Mamede (0 a cerca de 5,6 km)

Você sai de Vilarinho pela N306. Pouco mais de 1 km depois, vira à direita e desce até a ponte medieval de Zameiro, sobre o rio Ave, por volta do km 1,7. O Pilgrim.es descreve essa ponte como “precioso puente”. Depois você volta à N306 por alguns metros e a deixa pela esquerda. Essa variante, criada em 2012 por segurança, é cerca de 1 km mais longa que o traçado antigo, e o Gronze a recomenda. Mais adiante o caminho retorna à estrada e sai de novo por um caminho calçado até São Mamede, que tem bar e restaurante junto à N306.

São Mamede a São Miguel de Arcos (até cerca de 8,2 km)

Uma rua segue na mesma direção até a passagem por baixo da autoestrada A7. À frente já se vê a igreja de Arcos. Antes dela, você cruza a ponte medieval de São Miguel de Arcos, sobre o rio Este, com o tabuleiro bem arqueado.

São Miguel de Arcos a São Pedro de Rates (até cerca de 12 km)

Você deixa a igreja à direita, passa por um bar e, na saída da aldeia, à altura de uma fábrica, entra à direita. Há uns 300 metros pela N206 e depois um caminho à direita até a pequena aldeia de Borgonha. Em seguida chega a São Pedro de Rates, com bares, restaurantes e a igreja românica.

São Pedro de Rates a Pedra Furada (até cerca de 18,7 km)

É o trecho mais bonito do dia. Da igreja você sobe para a parte alta do povoado, passa pela Fonte de São Pedro, pelo albergue de peregrinos e pela capela de Santo António. Depois uma rua em descida vira caminho de terra, e por mais de uma hora você anda por zona rural. O Gronze lembra que entre Rates e Pedra Furada você sai da região natural do Douro e entra no Minho, divisão sem valor administrativo. No fim do trecho o caminho volta à N306 pela esquerda e chega a Pedra Furada, com a igreja e a pedra furada que dá nome ao lugar.

Pedra Furada a Pereira (até cerca de 22,5 km)

Aqui o caminho segue pela N306, com um pequeno desvio à esquerda e retorno. O guia da Câmara de Barcelos avisa que entre Pedra Furada e Pereira o caminho coincide com a estrada, sem alternativa. Ande com atenção. Depois de um restaurante com albergue, uma rua de paralelepípedo à esquerda deixa a nacional e leva a Pereira.

Pereira a Carvalhal (até cerca de 24,6 km)

Você atravessa os pequenos núcleos de Pereira, Pedrego e Pontegãos, passa por baixo da autoestrada A11 e chega à igreja de Carvalhal.

Carvalhal a Barcelos (até cerca de 28,1 km)

O caminho vira à esquerda e cruza Porto Carreiro, Santa Cruz e Mereces. Para atravessar a N103, procure a passagem inferior de pedestres. Depois você entra em Barcelinhos pela rua Celestino Costa e desce até a ponte medieval. Atenção: se a sua hospedagem for em Barcelinhos, não cruze a ponte. Cruzando o rio Cávado, você está em Barcelos.

O que ver no caminho de Vilarinho a Barcelos

  • Ponte de Zameiro e ponte de São Miguel de Arcos: duas travessias medievais na primeira metade do dia. Se você gosta do tema, veja o texto sobre pontes históricas do Caminho de Santiago.
  • Igreja de São Pedro de Rates: segundo o Pilgrim.es, é Monumento Nacional e uma das igrejas românicas mais emblemáticas de Portugal. Começou como uma pequena capela e foi reconstruída no fim do século XI, em granito, com três naves e capitéis todos diferentes, com motivos animais, vegetais e mitológicos.
  • Capela da Senhora da Ponte, em Barcelinhos: do século XIV, com vestígios de um lava-pés, segundo o guia da Câmara de Barcelos.
  • Ponte medieval de Barcelos: construída entre 1325 e 1328 sobre o Cávado, de acordo com a mesma fonte.
  • Paço dos Condes e Cruzeiro do Galo: o paço é da primeira metade do século XV e abriga o Museu Arqueológico. Lá dentro está o Cruzeiro do Galo, do século XIV, ligado à lenda do peregrino galego condenado injustamente à forca e salvo quando um galo assado cantou.
  • Templo do Senhor Bom Jesus da Cruz: a igreja redonda que você vê na cidade foi aberta ao culto em 1710, segundo a Câmara.
Peregrino no percurso de Vilarinho a Barcelos, Caminho Português

Onde dormir em Barcelos

Barcelos tem albergue de peregrinos, hostels, pensões e casas de hóspedes, segundo a lista do Gronze. Mas atenção: o Gronze avisa que o albergue de peregrinos da cidade tem poucas camas, então vale reservar ou ter um plano B. Do outro lado da ponte, em Barcelinhos, o mesmo site cita dois albergues a poucos metros da ponte, e o guia municipal de 2019 lista um deles como albergue de donativo.

Não cito preços porque mudam muito. Albergues de peregrinos costumam ser a opção mais barata; confira disponibilidade no Gronze. Se quiser entender como funciona a reserva em cada tipo de hospedagem, leia o guia de onde dormir no Caminho de Santiago.

Dificuldades e dicas da etapa

  • N306 sem acostamento. Os trechos são curtos, mas exigem atenção, principalmente entre Pedra Furada e Pereira.
  • Horário de almoço. O Gronze lembra que os restaurantes em Portugal costumam servir almoço entre 12h e 14h. Planeje a parada em São Pedro de Rates ou em Pedra Furada.
  • Comida típica. Na região aparecem pratos com sangue de porco, como rojões e papas de sarrabulho. Se você não come, pergunte antes. Barcelos é conhecida pelo galo assado e pelo vinho verde. Para organizar gastos com comida, veja quanto custa comer no Caminho.
  • Bênção do peregrino. Tanto o Gronze quanto a Câmara de Barcelos citam uma bênção diária na igreja de Santo António, à noite. Confirme o horário na cidade.
  • Barcelos é movimentada. O Gronze comenta que o trânsito pesado torna a cidade pouco agradável para passear. Mesmo assim, o centro histórico vale a visita.
  • Pés. Segundo dia seguido com bastante asfalto e calçamento. Cuide dos pés desde cedo. Veja como evitar bolhas antes de sair.

Como dividir ou encurtar a etapa

A divisão mais natural é dormir em São Pedro de Rates, por volta do km 12, onde há albergue de peregrinos. Isso deixa cerca de 16 km até Barcelos no dia seguinte. Outra opção é Pedra Furada, por volta do km 19, onde o Gronze cita um albergue aberto em 2022 nas antigas escolas.

Se você está forte, o Gronze menciona o albergue de Portela de Tamel, já na etapa seguinte, mas ele acrescenta cerca de 10 km ao dia. Só faz sentido para quem está bem condicionado. Com tempo sobrando, Braga fica a cerca de 20 km de Barcelos e tem ônibus diretos, segundo o mesmo site.

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Perguntas frequentes

Quantos quilômetros tem a etapa de Vilarinho a Barcelos?

Cerca de 28 km, segundo o Gronze. Os desvios criados entre 2010 e 2012 deixaram a rota um pouco mais longa.

A etapa tem muita subida?

Não. As rampas são moderadas, com cerca de 660 m de subida acumulada ao longo do dia.

Há onde comer no caminho?

Sim. Há bares e restaurantes em São Mamede, São Miguel de Arcos, São Pedro de Rates e Pedra Furada, entre outros pontos.

Vale dormir em São Pedro de Rates?

Se você quer etapas mais curtas, sim. A vila tem albergue de peregrinos e a igreja românica fica no caminho.

Barcelos e o galo no fim do dia

Vilarinho a Barcelos é a etapa em que o Caminho Português ganha cara de interior: pontes de pedra, aldeias, caminhos de terra e uma igreja românica no meio do trajeto. O cansaço vem da distância, não do relevo. Reserve tempo para chegar a Barcelos com luz e atravessar a ponte com calma.

Se quiser ver todas as etapas até a Galícia, consulte o roteiro do Caminho Português do Porto até Santiago.

Fontes consultadas

Rafael Kosoniscs

Sou jornalista e publicitário, tenho 36 anos e viajo de mochila nas costas há 12 invernos. Tenho a mochilagem e o montanhismo como paixões. Vou publicar meu primeiro livro este ano – e você já está convidado(a) para o lançamento. Fique de olhos nas redes para não perder, ok? Siga: @seumochilao | @rafaelkosoniscs

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