A etapa de Sarria a Portomarín é o primeiro dia de caminhada para quem começa nos últimos 100 km, e um dia como outro qualquer para quem já vem de longe. São cerca de 22 km pela Galícia rural, com prados, muros de pedra, bosques de carvalhos e castanheiros e uma sequência de pequenas aldeias, até descer ao rio Miño e cruzar a ponte que leva a Portomarín.
A dificuldade é baixa a moderada. O Gronze classifica a etapa como interessante e sem dificuldades especiais, com subidas e descidas frequentes, mas moderadas. O que muda a partir daqui é o movimento: Sarria é o ponto de partida mais procurado de quem quer a Compostela, e você vai notar mais gente na trilha do que em qualquer dia anterior.
Resumo da etapa de Sarria a Portomarín
- Distância: cerca de 22 km. O Gronze indica 22,2 km; outros guias arredondam para 22 km.
- Desnível: pelos números do Gronze, cerca de 400 m de subida acumulada e 460 m de descida, distribuídos em vários sobe e desce curtos.
- Tempo estimado: em torno de 5 horas de caminhada, segundo o Gronze, sem contar paradas.
- Dificuldade: baixa a moderada.
- Principais localidades: Vilei e O Mosteiro (Barbadelo), Rente, A Serra, Molino de Marzán, A Pena (Belante), Peruscallo, Cortiñas, A Brea, Morgade, Ferreiros, Mirallos, A Pena (Paradela), As Rozas, Moimentos, Mercadoiro, A Parrocha, Vilachá.
- Onde termina: Portomarín, na margem do reservatório de Belesar, no rio Miño.
Se você ainda vai chegar a Sarria e quer resolver credencial e primeira noite, o guia Sarria antes de começar o Caminho cobre essa parte. E, para ver a semana inteira até a Catedral, o roteiro geral de Sarria a Santiago mostra como as etapas se encaixam.
O percurso de Sarria a Portomarín trecho a trecho
Sarria a Barbadelo (cerca de 4 km)
Você sai subindo a rúa Maior, contorna a fortaleza e passa pelo convento da Madalena. Depois desce por pista asfaltada junto ao cemitério e cruza a Ponte Áspera, uma ponte medieval, pouco mais de 1 km após a saída. Em seguida passa por baixo de um viaduto, atravessa a linha do trem e começa uma subida entre carvalhos e castanheiros.
Pouco depois da Ponte Áspera sai a variante de Zanfoga, sinalizada. Ela é um pouco mais curta, mas tem menos árvores e mais asfalto, e o Gronze só a recomenda para ciclistas. A pé, fique no caminho principal.
Em Vilei e O Mosteiro, já em Barbadelo, há albergue público da Xunta e a igreja de Santiago de Barbadelo, a uns 100 m do caminho.
Barbadelo a Ferreiros (cerca de 9 km)
É o trecho mais bonito do dia. A trilha passa por Rente e chega a A Serra, no cruzamento com a estrada LU-P-5709, onde o Gronze registra bar e loja. Depois vêm Molino de Marzán, A Pena (Belante), Peruscallo e Cortiñas, por pistas de terra e trechos com lajes de pedra no meio do caminho. Em alguns pontos aparecem os pasales, passagens de pedra elevadas usadas quando o caminho alaga.
Entre Cortiñas e A Brea o caminho fica mais rústico, com trechos empedrados entre castanheiros e carvalhos. Depois de Morgade vem uma subida curta e forte até Ferreiros, com vista para o vale do Loio.
Ferreiros a Mercadoiro (cerca de 4 km)
De Ferreiros você desce até Mirallos, deixando à direita a igreja românica de Ferreiros. Logo depois, em A Pena (Paradela), fica o marco do quilômetro 100. Segundo o Gronze, ele foi transferido para esse ponto após uma nova medição da rota. Alguns guias ainda citam Morgade como o lugar do marco, então não estranhe se ler informações diferentes.
O caminho segue por As Rozas e Moimentos, entre prados e pinheirais. Antes de Moimentos você passa pela Pena dos Corvos, um amontoado de pedras que os peregrinos transformaram em altar improvisado. Perto de Mercadoiro o rio Miño aparece pela primeira vez.
Mercadoiro a Portomarín (cerca de 5 km)
Depois de A Parrocha vem a descida até Vilachá. Dali até o rio há três alternativas sinalizadas. O Gronze recomenda a pé a descida histórica, que sai à esquerda depois de Vilachá por uma trilha de pedra com degraus rústicos. As outras duas têm mais asfalto e são indicadas para bicicleta. Lá embaixo você cruza o viaduto sobre o reservatório de Belesar e a ponte até Portomarín.
O que ver no caminho
- Igreja de Santiago de Barbadelo: românica, ligada a um antigo mosteiro. O Gronze destaca o relevo do tímpano e a torre apoiada em dois arcos dentro da nave.
- Ponte Áspera: ponte medieval logo na saída de Sarria.
- Marco do km 100: um dos pontos de foto mais procurados da etapa. Em alta temporada, conte com espera para a sua vez.
- Mosteiro de Loio: fora do caminho, perto de Vilachá, ficam as ruínas desse mosteiro do século XII. Segundo o Gronze, foi sede da Ordem de Santiago, criada para proteger os peregrinos.
- Portomarín: a vila antiga ficava às margens do Miño e foi inundada pelo reservatório de Belesar. O Gronze data a inundação em 1963; a Wise Pilgrim fala em 1962. Os edifícios de maior valor foram desmontados e levados pedra por pedra para a colina onde está a vila atual.
- Igreja de San Nicolás: no centro de Portomarín, com aparência de fortaleza. Segundo o Gronze, pertenceu à Ordem de São João de Jerusalém e tem um pórtico que antecipa o Pórtico da Glória. A Wise Pilgrim acrescenta que o portal da igreja de San Pedro também foi transferido e incorporado a outra construção.
- Escadaria e capela das Neves: ao sair da ponte, você sobe uma escadaria que segue o traçado da antiga ponte medieval e passa pela capela das Neves.

Onde dormir em Portomarín
Portomarín é uma das paradas com mais estrutura do Caminho Francês. O Gronze calcula 15 albergues e mais de 2.500 vagas de hospedagem para uma vila de cerca de 450 habitantes. Há o albergue público da Xunta, no centro, vários albergues privados, pensões e quartos privativos.
Albergues públicos costumam ser os mais baratos, mas não aceitam reserva e enchem cedo na alta temporada. Se você vai em maio, junho ou setembro, vale reservar um privado com antecedência ou ao menos sair cedo de Sarria. Confira opções e disponibilidade no Gronze e, se precisar de um panorama geral, veja o guia de albergues do Caminho de Santiago.
Se você não gosta de multidão, o próprio Gronze sugere seguir adiante ou parar antes.
Dificuldades e dicas da etapa
- Carimbo duplo: a partir de Sarria, para ter direito à Compostela, você precisa de dois carimbos por dia na credencial, um no meio do caminho e outro no lugar onde dorme. Bares e igrejas no caminho costumam ter carimbo. Mais detalhes em como conseguir a Compostela.
- Multidão: espere trilha cheia, especialmente nas primeiras horas. Na minha visão, vale ajustar o horário de saída para não caminhar no meio do grupo maior, seja saindo mais cedo, seja um pouco mais tarde.
- Sobe e desce: não há grandes subidas, mas o terreno ondula o dia todo. O repecho antes de Ferreiros é o mais puxado.
- Chuva e lama: os caminhos entre muros de pedra acumulam água. Os pasales existem por um motivo.
- Descida final: a descida histórica até o Miño é pedregosa. Vá devagar, principalmente com chão molhado.
- Serviços: o Gronze informa bares e restaurantes em muitas aldeias, então água e comida não são problema.
- Bosques: aproveite. Segundo o Gronze, o bosque nativo vai dando lugar a pinheiros e eucaliptos conforme você avança para oeste.
Como dividir ou encurtar a etapa
Se 22 km parecerem muito para o primeiro dia, Barbadelo, a pouco mais de 4 km, tem albergue público e é uma boa opção para quem chega a Sarria à tarde.
Na outra ponta, o Gronze sugere que quem prefere ambiente rural siga além de Portomarín até Gonzar, que tem vários albergues e fica a cerca de 8 km da vila. Assim, o dia seguinte até Melide fica numa distância razoável.
Navegue pelas etapas:
- Etapa anterior: Triacastela a Sarria: guia da etapa do Caminho Francês
- Próxima etapa: Portomarín a Palas de Rei: guia da etapa do Caminho Francês
- Todas as etapas: Etapas do Caminho Francês: guia completo
Perguntas frequentes
Quantos quilômetros tem a etapa de Sarria a Portomarín?
Cerca de 22 km. O Gronze indica 22,2 km.
A etapa é difícil para quem nunca caminhou?
Não é uma etapa técnica. São subidas e descidas curtas e frequentes. Com algum treino antes da viagem, dá para fazer no ritmo de cada um.
Onde fica o marco dos 100 km?
Segundo o Gronze, em A Pena (Paradela), depois de Mirallos. Guias mais antigos citam Morgade, local anterior do marco.
Preciso reservar hospedagem em Portomarín?
Na alta temporada, é recomendável se você quer um albergue privado ou quarto. O albergue público não aceita reserva.
Por que Portomarín fica no alto de um morro?
Porque a vila original foi submersa pelo reservatório de Belesar no começo dos anos 1960, e a nova vila foi construída numa colina próxima.
O primeiro dia dos últimos 100 km
De Sarria a Portomarín você pega o ritmo do que vem pela frente: aldeias pequenas, bosques, muita gente, carimbo duplo na credencial e a sensação de que Santiago já está perto. Não tente correr. O dia é curto o suficiente para você parar no marco, almoçar sem pressa e chegar à ponte com energia para a escadaria.
Se você está montando a semana inteira, volte ao roteiro de Sarria a Santiago para conferir distâncias e paradas das próximas etapas.


















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