Caminho de Santiago de Compostela

Palas de Rei a Arzúa: guia da etapa do Caminho Francês, passando por Melide

Paisagem da etapa de Palas de Rei a Arzúa no Caminho Francês

A etapa de Palas de Rei a Arzúa é a mais longa da reta final do Caminho Francês. São cerca de 29 km com uma característica que pesa mais que a distância: o sobe e desce constante, provocado pelos muitos rios e riachos que cortam o caminho. No meio do dia fica Melide, a cidade do polvo, onde muita gente para para almoçar ou dormir.

A dificuldade é moderada a alta para quem está no terceiro ou quarto dia de caminhada. O Gronze dá nota 3 de 5 para dificuldade, e o guia Albergues Camino Santiago chama a etapa de rompepiernas, quebra-pernas, pelos repechos curtos e repetidos, especialmente depois de Melide.

Resumo da etapa de Palas de Rei a Arzúa

  • Distância: cerca de 29 km. O Gronze indica 28,5 km; o guia Albergues Camino Santiago, 29,2 km.
  • Desnível: pelos números do Gronze, cerca de 490 m de subida acumulada e 650 m de descida.
  • Tempo estimado: entre 6h45 e 7 horas de caminhada, conforme a fonte.
  • Dificuldade: moderada a alta, mais pela soma de distância e sobe e desce do que por uma subida específica.
  • Principais localidades: San Xulián do Camiño, Ponte Campaña, Casanova, O Coto, Leboreiro, Furelos, Melide, Boente, A Fraga Alta (Castañeda), Ribadiso de Baixo.
  • Onde termina: Arzúa, onde o Caminho do Norte se junta ao Francês.

Se você está planejando os dias até Santiago, o roteiro de Sarria a Santiago ajuda a ver onde vale encaixar uma parada em Melide.

O percurso de Palas de Rei a Arzúa trecho a trecho

Palas de Rei a Casanova (cerca de 5,6 km)

Você sai de Palas de Rei cruzando a N-547 duas vezes e caminha um trecho ao lado da estrada e de um parque empresarial. Depois de Ponterroxán e Carballal o caminho vira corredoira, aquele caminho rural ladeado de muros e árvores, e passa por baixo da autovia A-54 até San Xulián do Camiño.

De San Xulián você segue por pista até A Pallota e desce por uma senda empedrada até o rio Pambre, em Ponte Campaña. Até Casanova, a corredoira fica mais larga e atravessa um carvalhal denso. Na minha visão, é um dos trechos mais bonitos desses últimos dias.

Casanova a Melide (cerca de 8,8 km)

O caminho segue por bosque e desce até o riacho Porto de Bois. Depois uma pista asfaltada leva até O Coto, onde você entra na província da Coruña, a última do Caminho.

Logo vem Leboreiro, a menos de 1 km, por um caminho de terra com calçada medieval por baixo. Na saída você cruza o rio Seco por uma ponte de origem medieval. Até Furelos, o caminho passa por pista de terra e por um polígono industrial, com a N-547 à direita. A entrada em Furelos é pela ponte velha, e de lá uma subida leva a Melide, a cerca de 14 km de Palas de Rei.

Melide a Boente (cerca de 5,6 km)

Você sai de Melide pela rúa de San Pedro e passa pela igreja de Santa María. Logo depois cruza o arroio Catasol por lajes de pedra, num trecho de bosque de ribeira que o Gronze aponta como um dos mais fotografados da etapa. Daqui para frente o caminho alterna subidas e descidas entre carvalhos, pinheiros e eucaliptos, passando por Raído e Parabispo, cruzando o regato de Valverde e subindo a A Peroxa até Boente.

Boente a Ribadiso de Baixo (cerca de 5,4 km)

De Boente o caminho passa por baixo da N-547 e segue até A Fraga Alta, em Castañeda, onde o Gronze registra bares. Nesse trecho há duas variantes sinalizadas: uma mais curta, por asfalto, e outra um pouco mais longa, que cruza um riacho e passa por Fonte da Prata e Pedrido. As duas se juntam em O Río, onde há área de descanso. Depois você cruza a N-547 por uma ponte e desce ao vale do rio Iso, até Ribadiso de Baixo.

Ribadiso de Baixo a Arzúa (cerca de 3 km)

A última parte é uma subida firme. Você passa a N-547 por um túnel e segue paralelo à estrada até o centro de Arzúa. Não é longa, mas depois de quase 30 km ela se faz sentir.

O que ver no caminho

  • Castelo de Pambre: fortaleza do século XIV, construída em 1375 segundo o Pilgrim.es. Fica a 4,4 km do caminho, segundo o Gronze, então é um desvio para quem tem tempo de sobra.
  • Leboreiro: a igreja de Santa María, que o Pilgrim.es descreve como gótica com motivos românicos e a Virgem com o Menino no tímpano. Perto havia um hospital de peregrinos.
  • Ponte de Furelos: ponte medieval de quatro arcos, do século XII segundo o Gronze. O Pilgrim.es a considera uma das obras mais bonitas da arquitetura civil do Caminho na Galícia, com reforma parcial no século XVIII.
  • Melide: o Gronze lista a igreja de San Pedro, o Museu da Terra de Melide, a capela de San Roque e um cruzeiro do século XIV no centro histórico. Na saída fica a igreja românica de Santa María, com pinturas góticas na cabeceira. É aqui que o Caminho Primitivo se junta ao Francês. O polvo à feira é o motivo de muita gente parar, e falamos dele no guia sobre Melide e o polvo à feira.
  • Boente: a igreja de Santiago tem origens no século XII, segundo o Pilgrim.es. O Gronze conta que ela oferece carimbo e uma estampa de Santiago ao peregrino. Há também a fonte da Saleta.
  • Ribadiso de Baixo: ponte medieval sobre o rio Iso e o antigo hospital de peregrinos, que hoje funciona como albergue da Xunta, segundo o Gronze.
Peregrino no percurso de Palas de Rei a Arzúa, Caminho Francês

Onde dormir em Arzúa

Arzúa tem albergue público da Xunta e vários albergues privados, além de pensões e hotéis. A demanda é alta, porque aqui chegam também os peregrinos do Caminho do Norte. O guia Albergues Camino Santiago recomenda ter alternativas em Boente, Ribadiso ou Melide na alta temporada e nos fins de semana.

Albergues públicos costumam ser os mais baratos, mas não aceitam reserva. Se você quer garantir cama, reserve um privado e confira a lista atualizada no Gronze. O guia de albergues do Caminho de Santiago explica as diferenças entre os tipos de hospedagem.

Dificuldades e dicas da etapa

  • Sobe e desce: a segunda metade, depois de Melide, é a mais cansativa. São subidas curtas, uma atrás da outra.
  • Almoço em Melide: o guia Albergues Camino Santiago lembra que, depois de Melide, ainda restam cerca de 15 km com subidas e descidas. Coma bem, mas sem exagero.
  • N-547: você cruza a estrada várias vezes. Pare, olhe e só atravesse com segurança, principalmente em Palas de Rei, Melide e Boente.
  • Barro: com chuva, as corredoiras ficam enlameadas e as descidas escorregam. Calçado com boa aderência faz diferença.
  • Mais gente: em Melide entram os peregrinos do Primitivo e em Arzúa os do Norte. A trilha fica mais cheia daqui para frente.
  • Serviços: o Gronze informa restaurantes a cada poucos quilômetros, então comida não é problema.
  • Paisagem que muda: ao entrar na Coruña, o eucalipto passa a dominar, segundo o Gronze, embora ainda haja bosque nativo e prados.

Como dividir ou encurtar a etapa

Esta é a etapa que mais vale dividir. A opção mais lógica é dormir em Melide, a cerca de 14 km de Palas de Rei, que tem albergue público e muita oferta privada. Assim, você faz dois dias mais leves e chega a Arzúa no dia seguinte com folga.

Outra opção é parar em Ribadiso de Baixo, a cerca de 3 km de Arzúa. Você evita a última subida do dia e dorme num albergue público instalado num antigo hospital de peregrinos. Boente e Castañeda também têm hospedagem, segundo o Gronze. Se o seu plano está apertado, o artigo sobre como dividir o Caminho Francês em trechos de 15, 20 ou 25 km ajuda a recalcular.

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Perguntas frequentes

Quantos quilômetros tem a etapa de Palas de Rei a Arzúa?

Cerca de 29 km. O Gronze indica 28,5 km e o guia Albergues Camino Santiago, 29,2 km.

Melide fica no meio da etapa?

Sim. Fica a cerca de 14 km de Palas de Rei, praticamente na metade.

Qual é a parte mais difícil?

O trecho entre Melide e Ribadiso, com subidas e descidas curtas e seguidas, e a subida final até Arzúa.

Dá para dormir em Ribadiso em vez de Arzúa?

Dá. Ribadiso de Baixo tem albergue público da Xunta e fica a cerca de 3 km de Arzúa.

Preciso reservar em Arzúa?

Na alta temporada, é recomendável, porque Arzúa recebe peregrinos de dois caminhos.

Um dia longo que pede estratégia

De Palas de Rei a Arzúa é a etapa em que o planejamento mais rende. Feita de uma vez, é um dia cheio de sobe e desce. Dividida em Melide ou terminada em Ribadiso, vira dois dias agradáveis, com pontes medievais, bosques de ribeira e uma das paradas gastronômicas mais conhecidas do Caminho.

Antes de sair de Palas de Rei, decida onde vai dormir e confira a disponibilidade. Isso vale mais do que qualquer dica de equipamento nesta etapa.

Fontes consultadas

Rafael Kosoniscs

Sou jornalista e publicitário, tenho 36 anos e viajo de mochila nas costas há 12 invernos. Tenho a mochilagem e o montanhismo como paixões. Vou publicar meu primeiro livro este ano – e você já está convidado(a) para o lançamento. Fique de olhos nas redes para não perder, ok? Siga: @seumochilao | @rafaelkosoniscs

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