Caminho de Santiago de Compostela

Roncesvalles a Zubiri: guia da etapa do Caminho Francês

Paisagem da etapa de Roncesvalles a Zubiri no Caminho Francês

A etapa de Roncesvalles a Zubiri é o primeiro dia inteiro em território espanhol para quem começou o Caminho Francês em Saint-Jean-Pied-de-Port. São cerca de 21 km, quase sempre em descida, saindo dos campos e bosques dos Pirineus navarros até o vale do rio Arga. Depois da travessia da montanha no dia anterior, ela parece mais tranquila no papel. Na prática, cobra das pernas na parte final.

O Gronze classifica a etapa com dificuldade 3 numa escala de 5 e estima cerca de 5h15 de caminhada. O guia do Eroski Consumer chama de dificuldade média. O que pesa aqui não é a subida, e sim a descida longa e irregular até Zubiri, justamente quando o corpo ainda está sentindo os Pirineus.

Resumo da etapa de Roncesvalles a Zubiri

  • Distância aproximada: cerca de 21 km. O Gronze indica 21,4 km; o Eroski Consumer, 21,5 km.
  • Perfil: “basicamente em descida”, nas palavras do Gronze, com dois altos a considerar: o Alto de Mezkiritz (924 m) e o Puerto de Erro (803 m). O Gronze registra desníveis acumulados de 310 m e 732 m (subida e descida).
  • Dificuldade: média. Sem passagens perigosas, mas com terreno pedregoso e escorregadio em dias de chuva.
  • Principais localidades: Burguete (Auritz), Espinal (Aurizberri), Bizkarreta, Lintzoain e Zubiri.
  • Onde termina: em Zubiri, depois de cruzar a ponte medieval sobre o rio Arga.

Se você quer visualizar o sobe e desce antes de sair, vale dar uma olhada no nosso guia de altimetria do Caminho de Santiago.

O percurso trecho a trecho

Roncesvalles a Burguete (cerca de 2,8 km)

A saída é por um caminho de terra à direita da estrada, entre carvalhos e faias. Logo no começo você passa por uma cruz gótica de peregrinos, transferida para esse ponto em 1880, segundo o Eroski Consumer. Em Burguete o Caminho atravessa a rua principal. Há bares, mercado, centro de saúde, farmácia e caixa eletrônico. Atenção: aqui você caminha ao lado da N-135, e o Eroski avisa que nesse trecho não há acostamento.

Burguete a Espinal (cerca de 3,7 km)

Depois da igreja de Burguete, o Caminho vira à direita, cruza um riacho e entra por uma pista de bosque. Há um pequeno alto, depois uma pista asfaltada e a descida até Espinal, que tem bar, mercado e albergues.

Espinal a Bizkarreta (cerca de 5 km)

É o trecho com a primeira subida de verdade. Saindo de Espinal, uma pista sobe até o Alto de Mezkiritz, a 924 m, onde se cruza a N-135. A descida a seguir passa por um bosque de faias que o Gronze chama de impressionante, com piso de concreto impresso que imita lajes e degraus. Bizkarreta tem bar e mercado.

Bizkarreta a Lintzoain (cerca de 1,9 km)

Trecho curto, paralelo à N-135, com um cruzamento da estrada antes de descer até Lintzoain, que tem bar e pousada.

Lintzoain a Zubiri (cerca de 8 km)

O trecho mais longo e mais exigente. Na saída de Lintzoain vem uma subida pronunciada, com concreto e depois cascalho, até cerca de 850 m de altitude. Para o Eroski, essas primeiras rampas são as mais duras do dia. Depois o caminho segue quase plano por boas pistas até o Puerto de Erro (803 m), onde se cruza a N-135 de novo.

Junto às ruínas da antiga Venta del Puerto costuma estacionar uma van que vende bebidas e lanches. O Eroski indica que ela funciona na temporada de abril a outubro. Não planeje sua hidratação contando com isso.

Daí em diante são cerca de 3,5 km de descida constante “por todo tipo de caminhos”, como resume o Gronze, até a ponte sobre o Arga e a entrada em Zubiri.

O que ver no caminho

  • Burguete: o Eroski Consumer lembra que Ernest Hemingway ambientou parte do romance O Sol Também se Levanta (Fiesta, de 1926) aqui. A igreja de San Nicolás de Bari tem fachada renascentista iniciada em 1699.
  • Espinal: segundo o mesmo guia, foi fundada em 1269 pelo rei Teobaldo II e é o maior povoado do vale de Erro.
  • Bizkarreta: a antiga Biscaretum teve um hospital de peregrinos no século XII, do qual não restam vestígios. A igreja de San Pedro conserva uma portada românica do século XIII.
  • Lintzoain: a igreja de San Saturnino é românica, do século XIII, com reforma no século XVI. Para vê-la é preciso subir uns 150 m fora da rota.
  • Alto de Erro: o Eroski descreve o ponto como fronteira entre o clima atlântico e o submediterrâneo. Da Venta del Puerto restam só ruínas.
  • Ponte da Rabia, em Zubiri: ponte medieval de dois arcos sobre o Arga. O apelido vem de uma tradição: os animais eram levados a passar sob o pilar central para se curar da raiva. Se você gosta desse tipo de história, temos um texto sobre as pontes históricas do Caminho de Santiago.
Peregrino no percurso de Roncesvalles a Zubiri, Caminho Francês

Onde dormir em Zubiri

Zubiri tem todos os serviços básicos e várias opções de hospedagem para o tamanho do povoado. O Gronze lista um albergue municipal, a cerca de 150 m do centro, além de albergues privados e pensões, alguns bem na entrada, junto à rota. Como muita gente que sai de Roncesvalles termina o dia aqui, a procura é alta na primavera e no verão.

Na minha visão, vale reservar com antecedência se você caminha na alta temporada, ou pelo menos conferir a disponibilidade no Gronze na noite anterior. Os albergues públicos costumam ser os mais baratos, mas não aceitam reserva em muitos casos. Para entender como funciona cada tipo de hospedagem, veja nosso guia de albergues, hotéis e reservas no Caminho de Santiago.

Entre Burguete e Espinal também há um camping com quartos compartilhados e bangalôs, e em Lintzoain há uma pousada, segundo o Eroski Consumer. São alternativas se Zubiri estiver cheia.

Dificuldades e dicas da etapa

  • A descida final: são cerca de 3,5 km de descida contínua depois do Puerto de Erro, por pedras soltas e trechos irregulares. É aqui que joelhos e dedos dos pés reclamam. Se você já tem algum histórico, leia nosso texto sobre o Caminho de Santiago com problemas no joelho antes de sair.
  • Lama: em épocas de chuva, o Eroski avisa que muitos trechos ficam enlameados. O guia sugere a N-135 como alternativa, com cuidado redobrado com o tráfego.
  • Cruzamentos de estrada: a N-135 é cruzada no Alto de Mezkiritz, antes de Lintzoain e no Puerto de Erro. Olhe para os dois lados e não confie em quem vem rápido na curva.
  • Café da manhã: se você sair muito cedo de Roncesvalles, há onde tomar café em Burguete, Espinal e Bizkarreta.
  • Água: abasteça nas localidades. Entre Lintzoain e Zubiri são 8 km com uma subida forte e sem povoado no meio.
  • Ritmo: depois do dia dos Pirineus, a tentação é compensar o cansaço andando rápido na descida. Eu recomendo o contrário: passos curtos, bastões se você usa, e pausa antes de começar a descer.

Como dividir ou encurtar a etapa

A etapa já é relativamente curta, mas há pontos com hospedagem no meio do caminho, segundo o Gronze: Burguete, Espinal, Mezkiritz, Bizkarreta e Lintzoain. Quem chega muito cansado de Saint-Jean pode parar em Espinal ou Bizkarreta e emendar o restante no dia seguinte.

No sentido oposto, o Eroski Consumer sugere que caminhantes experientes estiquem a etapa até Larrasoaña, alguns quilômetros depois de Zubiri. Isso alivia o dia seguinte até Pamplona. Se você está montando seu roteiro, nosso guia das etapas do Caminho Francês ajuda a encaixar essas paradas.

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Perguntas frequentes

Quantos quilômetros tem a etapa de Roncesvalles a Zubiri?

Cerca de 21 km. O Gronze indica 21,4 km e o Eroski Consumer, 21,5 km. A diferença vem do traçado usado por cada guia.

A etapa de Roncesvalles a Zubiri é difícil?

É de dificuldade média. Tem duas subidas moderadas, mas o que mais pesa é a descida final até Zubiri, com pedras soltas e trechos que escorregam na chuva.

Tem onde comer e beber água no caminho?

Sim. Burguete, Espinal e Bizkarreta têm bares, e Lintzoain tem um bar. Entre Lintzoain e Zubiri não há povoados, só uma van de lanches sazonal no Puerto de Erro.

Preciso reservar albergue em Zubiri?

Não é obrigatório, mas Zubiri é um final de etapa muito procurado. Na alta temporada, reservar ou chegar cedo evita dor de cabeça.

Dá para ir direto até Larrasoaña?

Dá. O Eroski Consumer sugere essa extensão para caminhantes experientes. Avalie como estão seus pés depois da descida antes de decidir.

Primeiro dia de Espanha, primeiro teste das pernas

Roncesvalles a Zubiri é uma etapa bonita, de bosques de faias e povoados bascos, e ao mesmo tempo um teste importante. Ela mostra se a mochila está pesada demais, se o calçado aguenta pedra solta e se você sabe frear o próprio ritmo na descida.

Se terminar o dia em Zubiri com os pés inteiros, você aprendeu a lição mais útil para as próximas semanas: no Caminho, quem chega bem é quem desce com calma.

Fontes consultadas

Rafael Kosoniscs

Sou jornalista e publicitário, tenho 36 anos e viajo de mochila nas costas há 12 invernos. Tenho a mochilagem e o montanhismo como paixões. Vou publicar meu primeiro livro este ano – e você já está convidado(a) para o lançamento. Fique de olhos nas redes para não perder, ok? Siga: @seumochilao | @rafaelkosoniscs

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